Hoje, após várias semanas de tempo chuvoso, parece que o S. Pedro resolveu dar tréguas.
Nada melhor do que aproveitar esta manhã solarenga para me por na estrada com a minha “arrancadora de sorrisos“, Yamaha XT600E e ficar a conhecer o Parque Natural de N. Sra. do Salto em Aguiar de Sousa – Paredes.
Uma pequena espreitadela no Google Maps para ter uma ideia para onde tinha de traçar a rota, e às 10h30 estava com as duas rodas no asfalto. Passando a Pte do Freixo, saí para a IC29, sentido Gondomar onde optei por seguir estradas secundárias, passando por Mó, Pedrogo, até apanhar a Rua do Béloi que me levou a Aguiar de Sousa . Um curto trajecto de alguns Km’s por entre as serras onde a frescura do vento, associado a um agradável e intenso aroma a mimosas em floração me enchia a alma. O rio Sousa, acompanha a viagem, correndo lá ao fundo, no vale.
Rio Sousa
Toda a envolvencia do local é fantástica, mas a presença de um monstro de betão que consiste numa ponte com 2 tabuleiros onde passa a A41, tem um brutal impacto ambiental, chocando ao olhar, a quem disfruta do espaço/paisagem. Compreendo que a auto-estrada trará benefícios sociais e económicos, mas julgo que deveria ter sido tomado em conta outro trajecto que não este.
Na viagem de volta optei por seguir o seguinte percurso: Recarei / Campo / Valongo / Porto.
Um total de 105 Km’s feitos e mais uma vez um sorriso de orelha-a-orelha, proporcionado pela paixão das 2 rodas.
Termino este relato deixando-vos a lenda que envolve o local:
Termino este relato deixando-vos a lenda que envolve o local:
Lenda da Sra. do Salto(Fonte: Câmara Municipal de Paredes)
| De acordo com Manuel Ferreira Coelho, autor da Monografia do Concelho de Paredes – Freguesia de Aguiar de Sousa (1988) a Lenda da Sr.ª do Salto consta de duas variantes: uma, é a do cavaleiro que perseguido pelo demónio, apercebe-se do precipício e da sua iminente queda. Aflito, invoca Nossa Senhora. Esta aparece-lhe e diz-lhe que se atire à vontade. Então o cavaleiro e cavalo rolam para o precipício. Por efeito de milagre, não houve perigo para ambos. Deste salto resultou a impressão de cinco marcas numa laje do rio, que terá ficado mole como cera. Os cinco buracos visíveis numa laje do leito do rio, próximo da capela, têm sido atribuídos às patas e focinho do cavalo ao aterrar.A outra versão é semelhante à anterior, divergindo apenas na figura do Diabo que aparece em forma de lebre, a correr diante do cavaleiro provocando a mesma situação de perigo.Esta lenda foi registada em 1874 pelo botânico Augusto Luso da Silva que sendo poeta a transformou em quadras, que se transcrevem: |
| Pela serra d’Abelheira Montado em nédio corcel, Leva seguida carreira Um cavalheiro donzel.A barba luzente brilha Do orvalho que em gotas cai; Fareja veloz matilha Que em roda saltando vai.Não vê dez braças em frente Com tamanha névoa assim! Ouve saltar de repente Os cães a latir! Enfim.Rompe-lhe rápida lebre Que ali lhe escapa do pé! Deita a correr com tal febre, Que nada teme nem vê.A lebre corria adiante, E ele atrás, sempre a correr. Ia o cavalo ofegante Já em suor a escorrer.Ela ia de rabo alçado, E o via seguir atrás, Por ter os olhos de lado; Que fino que é Satanás!Mas eis que chegando à beira Daquele abismo… saltou; E no inferno matreira Pelo rio se escapou!Ele ia, enfim, sem receio E cego, a bom galopar; Não pôde reter o freio, Sente o cavalo saltar.E sente do ar a corrente Que as faces cortar-lhe vem; Vê-se suspenso e pendente Sobre o abismo também!…Valei-me Virgem Senhora, Valei-me sou pecador; Por mim não, mas por ela agora, Que sois todo o seu amor.E sem o menor abalo, (Tal não viu Nazaré) Firme se achou no cavalo Na parte oposta de pé!Mui contrito e arrependido Feria o peito co’a mão; E se votou decidido Da Virgem à devoção. |





